Bernardo Porto |
Idade: 25 anos. Paixões: empreendedorismo; startups; analytics; |
Minha história como empreendedor começou na adolescência. Aos 16 anos de idade, desenvolvi um aplicativo chamado Portinho - meu apelido de infância - para otimizar o desempenho dos computadores, que naquela época não era grande coisa. Era um problema pessoal e resolvi criar uma solução para ele.
Após verificar que o programa realmente melhorava o desempenho, comecei a distribuir o Portinho para os amigos e familiares. Em um determinado dia, fui jantar na casa de um desses amigos quando, de repente, sua mãe me abraçou com um grande sorriso no rosto e disse:
- “Você salvou a minha vida! O meu computador ficou jóia. Venha comer um bolo gostoso comigo!”.
Ela havia utilizado o Portinho e estava realmente feliz com o resultado. Foi aí que eu percebi que existia uma grande oportunidade em tornar o software em um grande negócio.
Em 2006, dois anos depois do acontecimento, após entrar na PUC-MG para cursar Sistemas de Informação, criei a Quicksys - minha primeira empresa.
Ao invés de criar um único aplicativo, criei um conjunto deles para aumentar o desempenho e realizar a manutenção diária do computador. Tudo começou bem simples e contei inicialmente com a ajuda dos meus pais. Foram os meus primeiros investidores e tive que “vender a ideia”. Não foi fácil. Empreender não fazia parte da cultura deles. Foram várias discussões até chegarmos a uma conclusão: eles iriam ajudar nos primeiros meses da empresa e depois eu teria que tocar o barco sozinho. Aceitei na hora!
Em 2007, enviei um dos aplicativos desenvolvidos - Portinho Quicksys Registry 2007 - para concorrer no Concurso Info de Software realizado pela revista Info Exame. Eles estavam escolhendo os melhores softwares nacionais daquele ano. Felizmente o nosso produto foi o primeiro colocado do concurso. Este fato nos ajudou muito a alavancar as vendas da empresa e ganhar credibilidade no mercado.
Em 2008, ainda bem amador - não tinha experiência profissional nenhuma - e administrando o negócio praticamente sozinho, decidi vender os produtos da empresa para o mundo inteiro. Hoje posso dizer que foi uma decisão equivocada naquela época pois a Quicksys começou a incomodar grandes corporações que estavam presentes no mercado internacional e que tinham um capital muito maior para marketing e contratação de mão-de-obra qualificada. Resultado: o ano de 2008 não foi muito interessante. Poucas vendas, muito trabalho e resultado abaixo do esperado.
Continuei trabalhando pesado para manter a empresa funcionando até o final de 2009. No final do ano, verifiquei que as coisas realmente não iriam dar certo se continuassem como estavam. A conta no banco não estava nada atraente e, para piorar, era o meu último ano de faculdade. Todos os meus colegas estavam bem empregados. Eu era definitivamente a “ovelha negra” da família e dos colegas. Era comum escutar algo como:
- “Ah… parece que o Bernardo tem um sitezinho que vende programinhas na internet.”
A pressão ficou enorme no final de 2009. Eu tinha que escolher entre arrumar um emprego ou continuar com a empresa e me virar sozinho, correndo o risco de ficar literalmente na “pindaíba”, duro, sem dinheiro. Eu escolhi arriscar e seguir com a empresa - eu amava e acreditava no trabalho que estava fazendo.
No ínicio de 2010, peguei o resto de dinheiro que havia guardado na minha humilde poupança e abri um pequeno escritório no bairro São Pedro em Belo Horizonte, também conhecido como San Pedro Valley. Montei o escritório todo na mão, literalmente. Foram dias e mais dias lixando e pintando paredes, reformando pisos, trocando torneira de banheiro, carregando móveis nas costas e por aí vai.
Os primeiros meses da Quicksys em 2010 continuaram bastante complicados. Um dos casos mais interessantes daquele ano foi que desenvolvi um sistema anti-pirataria bem complexo para evitar que as pessoas utilizassem licenças piratas nos produtos da Quicksys. Quando finalizei o sistema, achei que poucas pessoas no mundo conseguiriam decifrar tamanha complexidade. Uma semana após o lançamento, ele foi facilmente pirateado por um grupo de chineses. Até hoje é possível encontrar videos explicativos (até em árabe) de como utilizar a versão pirata.
Para conseguir pagar as contas no final do mês, tive que prestar consultorias para algumas startups. Foi aí que eu conheci o diferenciado Yuri Gitahy.
Durante alguns meses, ficamos discutindo novos modelos de negócios para a Quicksys. Definimos um modelo que mesclava o ambiente web/online com os aplicativos da empresa. Era bem interessante mas demandava um grande esforço. Seria necessário realizar vários testes de mercado e, caso fosse “comprovado” que tínhamos uma excelente ideia na mão, um investimento inicial também teria que ser discutido. Acabamos apresentando a ideia/protótipo no evento Desafio Brasil e fomos classificados para a final nos 45 minutos do segundo tempo.
No meio dessas mudanças todas, percebi que havia uma nova oportunidade no mercado de aplicativos: fornecer uma solução para as empresas de software que permitissem que elas verificassem como os seus programas eram utilizados pelos usuários. Eu tinha este problema na Quicksys - não sabia como as pessoas utilizavam os produtos.
Fiquei com esta ideia na cabeça durante vários dias até que decidi fechar a Quicksys (inclusive desistir da final do Desafio Brasil) para criar uma nova empresa - DeskMetrics - Analytics for Windows & Mac OS X Applications.
Em Julho de 2010, nasceu então o conceito da DeskMetrics e, junto com ele, um desafio de criar uma nova empresa - do zero e sem nenhum dinheiro.
Para superar essa adversidade, convoquei alguns amigos - que também são excelentes profissionais - para colaborarem no desenvolvimento da DeskMetrics. Como eu não tinha como pagar as horas trabalhadas, combinei que daria comida e bebida - salgadinhos, docinhos e refrigerantes - durante o período de “solidariedade”.
Fizemos isto uma vez por semana no turno da noite durante alguns meses. Foi assim que nasceu a DeskMetrics e também o conceito de “Love Work”.
Trabalhamos no desenvolvimento da primeira versão do produto até o lançamento oficial do produto em Outubro no TechCrunch - um dos sites mais conceituados sobre startups do mundo.
A equipe do TechCrunch recebeu a indicação da DeskMetrics por uma empresa americana investida pela Google Ventures e O’Relly Ventures que chegou a utilizar a nossa solução durante a fase de testes. Um dos editores achou interessante e resolveu fazer um post exclusivo sobre o lançamento da empresa.
Em Dezembro de 2010, saiu outro post sobre a DeskMetrics, mas dessa vez falando sobre o investimento que a empresa havia recebido.
Em 2011, iniciamos oficialmente as operações da DeskMetrics. Em poucos meses, conquistamos clientes do mundo inteiro, inclusive concorrentes da antiga Quicksys.

Bernardo Porto representando a DeskMetrics na capa da Pequenas Empresas & Grandes Negócios
Em Setembro de 2011, recebemos a notícia que a empresa havia sido selecionada para participar de um programa do governo chileno conhecido como Start-Up Chile. Iríamos receber um novo aporte e nos mudar para Santiago, Chile.
No dia em que saiu esta notícia, a minha vida virou de cabeça para baixo. A mudança para o Chile ocorreria em um prazo máximo de três meses. Tive que fechar a sede da companhia, obter um visto especial e, no meio do caminho, casar. E casar, sinceramente, é mais complicado do que abrir uma empresa. Resumindo: muita burocracia, procedimentos formais, mas no final deu tudo certo.
Em Janeiro de 2012, mudei oficialmente para Santiago. Foram meses fazendo várias descobertas. Não foi um período relativamente fácil, mas agregou ensinamentos que vão me acompanhar para o resto da vida. Convivi com pessoas do mundo inteiro, fiz amizades verdadeiras e, no meio do caminho, descobri o tanto que eu amava o nosso querido Brasil.
Em Julho de 2012, me desliguei da cidade de Santiago e fiquei durante um mês no Vale do Silício (California/EUA). Passei por lugares diferenciados incluindo San Francisco, Palo Alto e San José. Foi lá que conheci pessoalmente alguns dos meus mentores, além de visitar as sedes de startups bem criativas. Experiência única.

Almoçando em San Francisco.
[ Vivendo novas aventuras. Continua. ]